{"id":1,"date":"2025-09-24T13:34:59","date_gmt":"2025-09-24T13:34:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.nirlenecontabilidade.com.br\/noticias\/?p=1"},"modified":"2025-10-20T11:28:40","modified_gmt":"2025-10-20T11:28:40","slug":"o-futuro-do-lucro-presumido-em-xeque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.nirlenecontabilidade.com.br\/noticias\/o-futuro-do-lucro-presumido-em-xeque\/","title":{"rendered":"O Futuro do Lucro Presumido em Xeque: A Reforma Tribut\u00e1ria e o Conceito de Receita Bruta"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<p>A iminente entrada em vigor da reforma tribut\u00e1ria, com a gradual institui\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS) e da Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS) a partir de 2027, levanta um debate crucial para as empresas optantes pelo <strong>Lucro Presumido<\/strong>: a inclus\u00e3o ou n\u00e3o desses novos tributos na base de c\u00e1lculo do Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL).<\/p>\n\n\n\n<p>O Lucro Presumido \u00e9 um regime simplificado destinado a empresas com receita bruta anual de at\u00e9 R$ 78 milh\u00f5es. Nele, a base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL \u00e9 determinada pela aplica\u00e7\u00e3o de percentuais fixos de presun\u00e7\u00e3o sobre a <strong>receita bruta<\/strong>, que variam conforme a atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A Nova L\u00f3gica Tribut\u00e1ria: IBS, CBS e o Conceito de Receita<\/h3>\n\n\n\n<p>O cerne da quest\u00e3o reside na defini\u00e7\u00e3o de &#8220;receita bruta&#8221;. A legisla\u00e7\u00e3o (notadamente o art. 12, \u00a74\u00ba do Decreto-Lei n\u00ba 1.598\/1977) estabelece que a receita bruta compreende apenas os valores que se incorporam de forma definitiva ao patrim\u00f4nio da empresa. Ficam de fora os tributos cobrados do comprador ou contratante na condi\u00e7\u00e3o de mero <strong>deposit\u00e1rio<\/strong> ou <em>fiel<\/em> \u2013 ou seja, valores que transitam pelo caixa da empresa apenas para serem repassados ao fisco.<\/p>\n\n\n\n<p>Este princ\u00edpio ganha for\u00e7a com o modelo de IBS e CBS, que ser\u00e3o cobrados pelo m\u00e9todo de <strong>c\u00e1lculo por fora<\/strong> (ou <em>out of pocket<\/em>). Diferentemente do atual ICMS e ISS, que incidem &#8220;por dentro&#8221; e est\u00e3o embutidos no pre\u00e7o final, o IBS e a CBS ser\u00e3o destacados, o que, conceitualmente, refor\u00e7a sua natureza de mero ingresso de terceiros, e n\u00e3o receita pr\u00f3pria da empresa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Precedente do STF e a Relev\u00e2ncia do Split Payment<\/h3>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o encontra um importante balizador no hist\u00f3rico jur\u00eddico:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O Tema 69 do STF (RE 574.706\/PR):<\/strong> O Supremo Tribunal Federal j\u00e1 firmou o entendimento, no caso da &#8220;tese do s\u00e9culo&#8221;, de que o ICMS n\u00e3o comp\u00f5e a base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins, pois n\u00e3o se trata de receita ou faturamento da empresa, mas sim de um valor apenas arrecadado em nome do Estado. Este racioc\u00ednio \u00e9 diretamente aplic\u00e1vel ao IBS\/CBS.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>O <em>Split Payment<\/em> como Fator Decisivo:<\/strong> A reforma tribut\u00e1ria instituiu o mecanismo do <em>split payment<\/em> (pagamento dividido), em que o valor correspondente ao IBS e \u00e0 CBS ser\u00e1 <strong>automaticamente retido<\/strong> no momento da liquida\u00e7\u00e3o financeira da opera\u00e7\u00e3o e direcionado ao fisco, sem transitar pela conta corrente do vendedor ou prestador de servi\u00e7os.\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Para as empresas do Lucro Presumido que apuram o imposto pelo regime de caixa (ou seja, quando o pagamento \u00e9 de fato recebido), o <em>split payment<\/em> \u00e9 um argumento irrefut\u00e1vel: o IBS\/CBS sequer chega a ser recebido pela empresa, refor\u00e7ando que o valor n\u00e3o integra sua receita bruta.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Contraponto do STJ e a Poss\u00edvel Supera\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Apesar do forte precedente do STF e do novo desenho dos tributos, h\u00e1 um obst\u00e1culo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O Tema 1240 do STJ:<\/strong> Ao julgar a inclus\u00e3o do ISS na base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL no Lucro Presumido, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu pela sua inclus\u00e3o. O fundamento foi que o Lucro Presumido seria um &#8220;benef\u00edcio&#8221; simplificado, impedindo quaisquer dedu\u00e7\u00f5es (custos, despesas ou impostos), visando a simplifica\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Contudo, a l\u00f3gica e a natureza do IBS\/CBS <strong>os diferencia<\/strong> do ISS e pode levar o STJ a revisitar o tema:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Natureza Indireta e N\u00e3o-Cumulativa:<\/strong> A pr\u00f3pria natureza do IBS\/CBS, como tributos indiretos cobrados por fora e submetidos ao <em>split payment<\/em>, os afasta da sistem\u00e1tica que embasou o julgamento do ISS.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Os Riscos e a Implica\u00e7\u00e3o da Judicializa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>A eventual inclus\u00e3o do IBS e da CBS na base de c\u00e1lculo do Lucro Presumido geraria graves distor\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Majora\u00e7\u00e3o Indevida:<\/strong> Aumentaria artificialmente o IRPJ e a CSLL, resultando em tributa\u00e7\u00e3o sobre valores que n\u00e3o representam riqueza pr\u00f3pria da empresa.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Risco de Desenquadramento:<\/strong> Empresas com faturamento pr\u00f3ximo ao teto de R$ 78 milh\u00f5es poderiam ser for\u00e7adas ao regime de Lucro Real, mais complexo e oneroso.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Distin\u00e7\u00e3o Concorrencial:<\/strong> Criaria uma desvantagem para o Lucro Presumido em rela\u00e7\u00e3o ao Lucro Real, que n\u00e3o enfrenta essa controv\u00e9rsia, ferindo o princ\u00edpio da isonomia.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Diante disso, a <strong>judicializa\u00e7\u00e3o ampla<\/strong> do tema \u00e9 considerada inevit\u00e1vel. Os contribuintes dever\u00e3o recorrer aos fundamentos j\u00e1 sedimentados pelo STF (Tema 69) e \u00e0 pr\u00f3pria l\u00f3gica de simplifica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o-cumulatividade da reforma tribut\u00e1ria para argumentar pela exclus\u00e3o desses novos impostos. A manuten\u00e7\u00e3o do IBS\/CBS na base do IRPJ\/CSLL representaria uma tributa\u00e7\u00e3o sobre &#8220;riqueza inexistente&#8221;, o que afronta princ\u00edpios constitucionais como a capacidade contributiva.<\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia sobre o Lucro Presumido promete ser uma das mais significativas no cen\u00e1rio p\u00f3s-reforma, ecoando a relev\u00e2ncia financeira e jur\u00eddica do debate sobre o ICMS no PIS\/Cofins.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A iminente entrada em vigor da reforma tribut\u00e1ria, com a gradual institui\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS) e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reforma-tributaria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.nirlenecontabilidade.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.nirlenecontabilidade.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.nirlenecontabilidade.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.nirlenecontabilidade.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.nirlenecontabilidade.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.nirlenecontabilidade.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49,"href":"https:\/\/www.nirlenecontabilidade.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1\/revisions\/49"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.nirlenecontabilidade.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.nirlenecontabilidade.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.nirlenecontabilidade.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}